As fotos já não são mais as
mesmas. Ainda sem sinal de rugas ou cabelos brancos elas não continuam as
mesmas. Já é comum sentar-se à mesa do bar e ser o mais velho, ser aquele que
conta mais estórias, ser o que mais resmunga. Outro dia, uma velha conhecida me
aparece grávida, um velho amigo aparece casado, e minha velha cara de espanto
congelou por alguns segundos. No auge de minha juventude, ando atrasado ou me
esquivando das pedras do caminho da minha geração? Hoje, pela manhã, uma velha
amiga, menos velha do que eu me apareceu grávida. Nada de mais! Alguns meses
atrás, uma velha amiga, mesma idade que eu, também grávida. Alguns anos atrás,
um amigo de infância, também menos velho que eu, apareceu casado. E eu? Não sou
pai, não sou marido, não sou namorado. Parece-me que estou fugindo das grandes
conquistas de minha geração, mas ao mesmo tempo, sinto-me aliviado por andar
contra todas essas expectativas.
Os sonhos de 10 anos atrás nem se
comparam aos de hoje. São bem mais lindos e menos possíveis. A criança que
cresceu sempre quis envelhecer, e se tornou o adulto que nunca deixou de ser
criança. Talvez daqui a 10 anos, meus sonhos sejam menos belos que os de hoje e
mais fáceis de realizá-los.
A vida foi boa comigo. Bateu
muito em minha cara. Talvez por isso, no auge dos meus vinte e tantos anos sou
mais velho. Foi cada tapa na cara, cada chute no estômago, que por mais que eu
tenha ganhado uns golpes baixos, nunca foi uma luta injusta. As marcas são
troféus, e constantemente me trazem à memória as derrotas de um vencedor.
Hoje, quando
acordei, me senti tão velho quanto a mosca que só vive 24 horas. Já vi e vivi
tanta coisa que ainda não conheci nada. Andei por tantos lugares, mas nunca fui
além do vidro da janela. O som do tempo passando se mistura entre sorriso e
choro, e no fim, só eu saberei se as rugas no me rosto são expressões de
alegria ou salgadas de lágrimas.
Victor
Rocha